Dirigido por Terrence Malick a partir de seu próprio roteiro (leia: próprias experiências), Árvore da Vida é a perfeita reunião de memórias e sentimentos de uma família em busca de explicações para a perda de um de seus membros. E se o filme é impecável, um dos seus segredos está em seus interpretes, que, de forma realista, dão vida àqueles personagens. Destaque para o estreante Hunter McCracken, que tem a difícil missão de carregar o peso emocional do filme, através de seus olhos expressivos e sinceros, que é continuada pelo veterano Sean Penn na fase adulta.
Utilizando de imagens para ilustrar os questionamentos (e as respostas) mais íntimos (as) de cada ser humano, Árvore da Vida é um poema cinematográfico, que funciona em cada espectador de forma única por ser livre de interpretações acerca da forma como nos ligamos a Deus ou a uma força maior que, aqui, é retratada como um vasto “você“.
Árvore da Vida é a desconstrução dos conceitos fundamentais praticados pelos filmes de Hollywood. Talvez por isso seja tão difícil ser assistido por alguns espectadores. Neste último trabalho de Malick, não existe a pretensão de atingir o público em massa, nem de contar uma história com tramas lineares. Aqui, experimentamos as memórias de seu protagonista Jack em três importantes épocas da sua vida. E são essas experiências que refletem neste Jack adulto, deixando claro que nossas memórias mais antigas continuam moldando quem nos tornamos a cada dia.
Impossível não se lembrar de 2001: Uma Odisséia do Espaço, de Kubrick, pois ambos transcendem os limites rasteiros de se contar uma simples história e nos fazem filosofar sobre nossa própria existência, forçando-nos a perceber o pequeno tamanho que somos diante da imensidão e beleza do nosso planeta.