Talvez a pior escolha deste “O Espetacular Homem-Aranha”, que, por sinal, não tem nada de espetacular, seja apresentar um vilão com potencial a esta altura da história. Em 2005, Christopher Nolan ensinou uma importante lição sobre o reboot de uma série de super-herói com seu ótimo Batman Begins: apresentar um vilão importante, logo de cara, é perder as oportunidades de explorar ao máximo as origem de seu protagonista, que, neste momento, são importantes alicerces para seus filmes vindouros. Não que O Lagarto seja um grande vilão, cheio de conflitos complexos e interessantes, importantes para o desenvolvimento da narrativa, na verdade ele não passa de uma mistura medíocre do Doende Verde e do Dr. Octopus, mas sua inserção em outro momento da história, talvez pudesse ser mais bem aproveitada.
Apostar em contar a história da origem dos pais de Peter, como se isso fosse relevante para a origem do futuro herói, é dar outro tiro no pé. Além de não saberem conduzir o “mistério“ por trás do desaparecimento dos pais, é uma grande perda de tempo, que poderia ser melhor distribuído na importante relação de Peter com seus tios.
Além disso, o casting de atores com seus quase 30 anos, interpretando adolescentes de 17, não só não convencem, como fazem de Emma Stone (24) e Andrew Garfield (29) imitações bobas de um comportamento desta idade, cheio de caretas. Isso não significa que Andrew não interprete bem seu personagem, pelo contrario. Ainda que com um visual e comportamento “hipster” a seu Peter, deixando o clássico nerd de lado, Andrew parece fisicamente mais fiel com o Aranha visto nos quadrinhos. Por sinal, comparar Tobey Maguire com Andrew é uma grande bobagem, visto que ambos são igualmente carismáticos e possuem identidades singulares, construindo diferentes (e igualmente bons) “homens-aranha“ neste curto intervalo de 10 anos. Contudo, a escolha de Sally Field e Martin Sheen para interpretar os tios de Peter, é inteligente e eficiente, ainda que não ganhem muito espaço no roteiro rasteiro de Steve Kloves, Alvin Sargent e James Vanderbilt.
Fraco, bobo e ineficiente, este O Espetacular Homem-Aranha retoma o sucesso do trunfo da Sony, no qual ainda deve render continuações enquanto houver sucesso nas bilheterias (leia: dinheiro). Esperamos que Marc Webb, ou seja lá quem assuma a direção das seqüências, aprenda com os erros e nos apresente um herói a altura do icônico e amado personagem criado nos anos 1960 por Stan Lee e retratado de forma pontual por Sam Raimi nos cinemas.